A mágica da arrumação

Se tem uma pessoa que afetou minha vida de maneira significativa e profunda, ela atende pelo nome de Oprah Marie Kondo. Provavelmente você já ouviu falar sobre ela e o livro que ela escreveu – “A Mágica da Arrumação”.

Eu li o livro em março ou abril de 2015, em uma única noite de sábado. Marie Kondo é uma japonesa cujo livro sobre organização tornou-a uma autora best seller em sua terra natal e em outros países. O material elaborado por ela explica porque as usuais formas de arrumar a nossa casa não funcionam, seguido da apresentação do método elaborado por ela, o KonMari.

Logo apliquei o método KonMari nas minhas roupas. Depois fui para os livros, para as maquiagens, para o armário do namorado marido (ele que fez a limpeza, na verdade, eu só “supervisionei”) e até na cozinha, revisando utensílios e travessas desnecessárias.

Obviamente, o KonMari proporciona uma nova relação com as coisas que você tem. Acontece uma “epifania do consumo” quando nos deparamos com a enormidade de coisas que temos – e muitas vezes nem nos damos conta. Mas, para além disso, percebi duas consequências interessantes ao aplicar os ensinamentos de Marie Kondo.

Antes, é preciso que você saiba que a autora acredita que só devemos manter em casa coisas que nos despertam alegria (“spark joy” é o termo que ela usa), descartando o resto. É completamente subjetivo, eu sei, mas achei fascinante! É preciso segurar cada peça de roupa, por exemplo, e perguntar a si mesmo se ela desperta alegria em você. E eu tinha em casa muitas peças que não despertavam alegria nenhuma: algumas ganhei de presente e não tinham nada a ver comigo, outras não serviam mais (ou pior, serviam… eram do tempo do Ensino Médio, aff!), roupas cuja compra foram um erro e que mantinham as etiquetas intactas, pois eu tentava me convencer de que uma hora ou outra usaria (“afinal, já gastei o dinheiro, não posso me desfazer”). E aí que está: você pode! Quando seu critério é unicamente peças que te agradam, combinam com seu momento de vida e te fazem bem, você se vê livre para dar tchau a tudo que você não quer na sua vida, mas até então sentia uma obrigação de manter (ou tinha dificuldade de passar pra frente).  Por isso, a primeira consequência da leitura do livro foi uma sensação de alívio, de libertação.

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As roupas ocuparam a cama toda (de casal) + uma cadeira

O que quero dizer é que, embora você tenha apreciado receber roupa X de presente ou comprar a peça Y, você não é obrigado a ficar com esses itens se eles não te agradarem – na hora ou em um futuro próximo. Há essa convenção social de que precisamos guardá-los, de que já gastamos nosso dinheiro, de que as peças ainda estão boas, porque não mantê-las? De uma forma ou de outra, elas não se encaixam na sua vida. No fim é isso, se você não usa, você não gosta, então porque deixar aquela peça ocupar espaço na sua mente e no seu armário?

(Vale ressaltar que falo aqui de peças do dia a dia. Vestidos de festa, por exemplo, e outras peças sazonais têm menor uso, ficam um tempo parados no armário mesmo. Pode deixá-los onde eles estão! ;D

Outro ponto importante: o ideal é sempre prestar atenção no que você deixa entrar na sua casa – e na sua vida – em primeiro lugar, justamente para evitar que esse espaço tão íntimo fique entulhado de coisas, e de coisas que nada tem a ver com você.)

A segunda consequência foi que, ciente das coisas que escolhi manter e apreciando-as melhor, passei por um novo processo de compra. Após a leitura do livro, eu não comprei uma peça de roupa ou sapato por quatro ou cinco meses. Eu usava meu armário muito melhor, mesclava peças que antes estavam escondidas, redescobri o que eu tinha. E quando eu voltei a comprar, aconteceu algo inédito. Eu comprei menos (hahahahahah, que triste passar por um processo desse pra chegar nisso, mas é a verdade) e melhor. Comprei algumas peças que eu percebi que faziam falta no meu guarda-roupa e usei-as muito mais do que eu usava minhas compras anteriores. Elas faziam sentido pra mim, eram coisas que eu queria muito e tinha necessidade, enfim, foram compras acertadas, não impulsivas. Eu não me arrependi de nada que adquiri nesses últimos meses. Ao contrário, eu falo pro meu marido umas 800 vezes “meu Deus, melhor compra que já fiz, essa roupa já se pagou de tanto que usei!” – ao que ele concorda sempre ao pontuar que eu aparentemente só tenho as mesmas três peças para usar.

No próximo post eu falarei um pouco mais sobre o método em si e indicarei alguns vídeos que podem ajudar você a aplicar o método KonMari. Se você já leu o livro, deixe aqui nos comentários suas impressões.

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