Ceeeeelebraaaaation Uh Uh!

[post extra da semana. para ler ouvindo!]

No primeiro semestre desse ano me ofereceram um emprego. Carteira assinada, benefícios, 8h30 de trabalho diárias. No meio da conversa, minha possível empregadora me disse:

– Olha, o trabalho paga ok, mas é bem puxado. Pensa bem antes de aceitar. Eu mesma tenho 4 cachorros e não os vejo. Tive que contratar uma babá pra cuidar deles enquanto estou fora. Corro pra vê-los na hora do almoço (mas fico sem almoço por conta disso). Então pensa bem antes de aceitar a vaga.

Achei a honestidade dela incrível. A partir disso fiz a minha. wink!

 *  *  *

Hoje, dia 20 de junho de 2017, a empresa que eu criei completa 5 anos de existência. De acordo com dados do IBGE (2014), 6 em cada 10 empresas fecham nesse período. 60% fecharam! E as menores são as mais suscetíveis a fechar as portas, de acordo com o estudo. Imagine uma empresa como a minha, formada por uma pessoa só pra fazer tudo.

 

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Não é fácil. Não é mesmo. Como me faltava experiência empresarial, tive que aprender tudo na prática e com cursos que fiz ao longo do caminho.

Aqui estão algumas das coisas que fiz nesses 5 gloriosos anos em atividade:

  • Aceitei trabalho sem saber quanto me pagariam (não façam isso nunca);
  • Aceitei trabalho com prazos impossíveis de cumprir e passei dias e semanas virando a madrugada pra dar conta de tudo (não façam isso);
  • Muitas e muitas vezes visitei meus pais e meus sogros no final de semana com o pc a tira colo, porque enquanto todos conversavam e tomavam chá eu estava trabalhando (não façam isso);
  • Já passei o último dia do ano negociando trabalho, que chegou na minha caixa de correio no dia 2 de janeiro (afff, preciso comentar?);
  • Trabalhei com pessoas que eu queria adotar pra vida de tão maravilhosas (sim, elas existem);
  • Mas também trabalhei com pessoas que me davam vontade de socar minha cabeça na parede (às vezes parece que existem mais pessoas desse tipo);
  • Já recebi pagamento atrasado e fiquei de vergonha de cobrar o cliente por isso (¬¬);
  • Já atendi tanto cliente de uma vez que achei que teria uma síncope;
  • Também já fiquei tanto tempo com um cliente só (que pagava uma mixaria) que quase tive uma síncope (u-hum);
  • Já tive uma reserva enorme de dinheiro pra, no ano seguinte (de crise), usar quase tudo pra me manter porque praticamente não entrava dinheiro novo.

Resumindo, porque a ladainha pode ser ainda maior: já rolou muita coisa. E a partir de tudo isso fiz algumas escolhas. Escolhas que dizem respeito a quem eu sou, o que eu acredito e o que eu espero pra mim e pra minha família.

Hoje minha empresa não é meu objetivo final. Eu redescobri que gosto muito do que faço (passei por uma crise ano passado em que queria mandar tudo às favas), mas entendo que meu trabalho não é tudo na minha vida. Acho que não é pra ser mesmo, na de ninguém. Não tô falando que dinheiro não é importante e tal, pq obviamente é, mas se a gente só vive focado nisso, perde todo o resto. Por ANOS eu perdi isso que achava ser “um resto” e hoje vejo que é o principal. Meu trabalho é um “possibilitador”, pois minha realização não vem só dele. Vem também de uma série de coisas que, a partir dos meus ganhos, eu posso proporcionar para mim e para aqueles ao meu redor. Essa foi a lição mais importante que eu aprendi com o meu empreendimento.

A minha empresa é tão maravilhosa – aos meus olhos – não porque ela é a próxima start up quente do momento (#nuncasereibelpesce), mas porque ela me permite desenvolver uma função que eu amo e na qual sou muito boa, gera um impacto na vida das pessoas, e, principalmente, foi construída com muito suor e muito erro para ser o que eu quero que ela seja, algo que faz parte da minha vida, não a minha vida inteira.

[ Vale dizer também que, por causa da empresa: eu editei uma coleção incrível sobre História da África, que me levou a fazer uma pós no assunto, um amor descoberto; também tive um livro editado por mim aprovado pelo PNLD, o programa mais crica do governo em relação a livros didáticos; e que neste ano ainda, creio eu, será publicado o primeiro livro escrito por mim, sobre História Moderna. O mais importante, porém, é que estruturei minha empresa pra poder fazer minhas aulas de muay thai pela manhã! ]

Então assim, minha empresa sou só eu, em um escritório que ocupa um cômodo da minha casa e que é tomado por livros, fotos na parede e gatos pra todo lado.

 

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Flagra do escritório neste momento!

 

No frio trabalho de poncho enrolada na coberta, sem dignidade nenhuma. Atendo minha já fiel clientela, respeito prazos, controlo os pagamentos. É isso. Por muito tempo pensei que eu tinha que criar uma mega empresa, ter mais gente trabalhando pra mim, ter uma mesa gigante de trabalho, mas no fim, as coisas têm as proporções que nós damos a elas. As proporções que nós queremos.

E estou satisfeita com o que eu criei, e feliz de ter chegado até aqui. Que esta empresa querida – a Natália Bellos Serviços Editoriais (porque sei editar, mas não sei inventar nome) – continue a proporcionar novas oportunidades, que me dê o chão do qual vou alçar novos voos e projetos; que ela me ajude a extrapolar as paredes que me encerram e que me permita a aventura em novos interesses, sem perder o foco no que é verdadeiramente essencial (#pequenoprincipefeelings).

Assim sendo, que ela tenha muitos anos pela frente (porque decidi que meus gatos não terão babá).

#itsacelebration!

[OBS.: Obrigada à família e, principalmente, ao Gui Empke, pela ajuda, pelo apoio – e, no caso do último, pelas broncas quando eu fazia algum dos itens zoados daquela lista lá de cima, ahahahahah. Te amo, dear! <3]

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