Memórias de uma mesa de trabalho

[o título é uma homenagem a todos aqueles livros que líamos na escola: “memórias de um cabo de vassoura”, “memórias de um abajur sem lâmpada”… hoje falaremos sobre mesas de trabalho.]

[a imagem que abre o post mostra a bagunça que rolava na mesa, em outros tempos. e uma gata que, em outros tempos, estava mais esbelta tb.]

Contarei uma pequena historinha:

Eu trabalho em casa, como digo em quase todo post que escrevo. Daí nosso apê tem 3 quartos e, fora o de casal, os outros 2 são escritórios. Trabalhei por um tempão com uma mesa que nos foi doada e que adaptei para poder usar. Meu sonho era ter uma mesona, pois achava que uma mesa grande realmente me faria ser A empreendedora.

Por que eu achava isso?

Porque eu era uma imbecil, obviamente.

Gui foi comigo na loja, compramos a chapa de madeira, as mãozinhas francesas e os apoios. Gui ficou boa parte da tarde montando tudo, enquanto eu “prestava assistência” (aka., alcançava parafusos para ele). Foi assim que acabei com uma mesa cujo tampo tem 1,60m.

1,60m de mesa.

Eu posso deitar em cima dela, se quiser.

Pra que que eu preciso de uma mesa desse tamanho? Pra me incomodar, aparentemente. A mesa é enorme e bem bonita, mas ocupa uma boa parte do quarto, o que lastimo muito. Além disso, outro efeito colateral não previsto: sabe o que acontece quando a gente tem muito espaço? Enche ele de tranqueira.

Imagem relacionada

O importante aqui é observar que Roy tem tiny hands e tiny arms!

Minha mesa estava tão cheia de livros e papeis que eu parecia o Roy, da Família Dinossauro, tentando digitar. Eu não alcançava nem o computador direito, os bracinhos espremidos entre duas pilhas bastante frágeis de materiais que ameaçavam desabar a qualquer momento sobre mim.

Não me arrependo da mesa (mentira, me arrependo todos os dias), mas ao menos ela me ensinou uma valiosa lição (ahá, hora da moral). Não é preciso termos mais espaço. Precisamos é de menos coisas. E uma boa dose de organização, que aparentemente é uma feature que me falta, mas que estou me esforçando pra melhorar.

Então, antes que você compre a casa de 180 m2 porque, meu deus, que aperto que é viver em justos 90 m2(!!!), antes de comprar o sofá de 4 lugares para uma sala que mal comporta um sofá para 2 pessoas, eu sugiro que você pense. Reflita. Abra seu coração. Olhe ao seu redor: será que não dá pra aproveitar melhor o espaço que você tem deixando-o mais livre, com menos coisas?

Ao invés de comprar um monte de organizador e pasta para guardar documentos de 10 anos, seu boletim da 3ª série e o álbum de sua festa de 15 anos (que você nunca abriu, por que, né, quem quer se ver aos 15 anos com aquelas roupas questionáveis?), não vale mais a pena se livrar dessas coisas? Jogue fora o que não usa, bata foto do que quer de recordação, e, gente, tchau.

O exercício pode parecer difícil no começo e você pode ficar relutante em aplicá-lo. Eu entendo. Sugiro que você comece pequeno e devagar, atacando pequenas áreas. A prática do desapego é incrível porque, uma vez que você entra nela, parece que não vai parar nunca mais (hehe, ao menos é isso que acho fascinante). E você vai ver o quanto dinheiro, energia e espaço está gastando com coisas que não precisa. E o quanto vai se sentir muito mais leve também.

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