Minha experiência com o low poo

[Let’s talk hair today!]

Faz 10 meses que aderi ao low poo para cuidar dos cabelos, e como vejo que tem muita amiga com interesse/curiosidade sobre o assunto, resolvi registrar minha experiência até o momento, além de juntar outras informações.

O que é?

O low poo (que significa “pouco shampoo”) é uma técnica de cuidados desenvolvida para quem tem cabelos cacheados e crespos – mas que pode ser seguida por qualquer pessoa. Como estes tipos de cabelo são geralmente mais frágeis e ressecados (pelo fato de o óleo natural produzido pelo couro cabeludo não chegar até as pontas dos fios), o low poo (assim como o no poo) propõe o uso de produtos que não contenham substâncias detergentes agressivas em sua composição, assim como ingredientes que “mascaram” a saúde do cabelo ao invés de realmente tratá-los.

Ingredientes off limits

Há uma série de ingredientes que os produtos capilares não podem apresentar para serem low poo ou no poo. Em primeiro lugar, esqueça os sulfatos. Estes são detergentes baratos e muito vezes bastante agressivos para os cabelos cacheados e crespos – e que estão presentes na maioria dos shampoos, por exemplo. (Leia os ingredientes do shampoo normal que vc usa e, depois da água, o primeiro item que aparece é o Laureth Sodium Sulfate. Taí sulfato.)

Além dos sulfatos, também estão fora parafina líquida, petrolatos, parabenos (não há comprovação científica de que os parabenos – que nada mais são do que conservantes – sejam do mal, ainda que existam pesquisas que os relacionem com câncer. De qualquer forma, eles estão fora da maioria dos produtos para low e no poo), óleos minerais, silicones insolúveis (mais sobre isso no próximo tópico).

No site da Mari Morena tem uma lista com os ingredientes permitidos e os proibidos ao fazer low e no poo. Também recomendo o vídeo que ela fez sobre o assunto.

Diferença entre low poo e no poo

No poo quer dizer “sem shampoo”. Ou seja, quem adere ao no poo não usa shampoo nenhum em sua higiene capilar ou produtos que tenham silicones insolúveis – esses são retirados do cabelo apenas com shampoo normal, que contenha sulfato. No low poo o shampoo de ação leve está liberado, assim como um ou outro silicone que consegue ser retirado com o shampoo low poo.

Só dá pra seguir essas técnicas comprando produto caro

Taí uma coisa que não é verdade. Existem diversos produtos liberados para low e no poo que são muito acessíveis, encontrados em quaisquer farmácias e supermercados. No fim do texto tem uma lista com alguns produtos liberados, e você verá marcar nacionais e importadas, de preços variados, para que você possa escolher o que for melhor pra vc.

Na prática

Comecei a fazer o low poo mais de curiosidade – ainda que meu cabelo não estivesse maravilhoso na época. Como eu treinava pra correr e tal, o cabelo ficava prejudicado e sem definição, por isso achei uma boa tentar a técnica.

[Abaixo, três momentos distintos da minha trajetória capilar, ahahah.]

Em primeiro lugar, tive que mudar todos os produtos que usava, com exceção de um ou outro que eram liberados para a técnica. Para começar o low poo, você lava o cabelo com shampoo normal uma última vez (para tirar todo o silicone insolúvel dos fios) e daí pode usar apenas o shampoo para low poo (ou condicionador para co-wash) normalmente. Então vale o aviso: como você está realmente limpando seu cabelo de todos os ingredientes que mascaram a situação real dos seus fios, é normal que o cabelo fique bastante esquisito nos primeiros dias. O meu ficou com uma definição estranha e com um aspecto idem.

É importante falar também que, como esses produtos são de limpeza leve, eles quase não fazem espuma. Isso não quer dizer que não limpem, mas se você toma banho de espuma com seu shampoo em cada banho seu, é bom se preparar.

Depois das adaptações iniciais, devo dizer, meu cabelo respondeu muito bem ao low poo. Ele ficou com mais volume, mais definição e mais elasticidade, ou seja, mesmo nos momentos em que eu o prendia, ele não perdia o formato dos cachos. Fiquei bastante satisfeita!!!

Outra coisa legal é que você não precisa usar sempre shampoo para limpar o cabelo. Daí entra o condicionador para co-wash (que é o que a galera que segue no poo usa). Este produto nada mais é do que um condicionador limpante: você usa no couro cabeludo fazendo uma leve massagem e enxágua. É ainda mais suave do que o shampoo para low poo e nos dias em que vou pra academia e preciso lavar os cabelos quase todos os dias, alterno o shampoo com o co-wash. Meu cabelo também respondeu muito bem ao uso alternado destes produtos.

Veredito final: me-ga-re-co-men-do!

Quero saber mais, onde buscar infos?

Alguns sites sobre o assunto:

  •                 Cacheia.
  •                 O site da Mari Morena que falei lá em cima (ela faz bastante resenha no canal dela tb, vale olhar).
  •                 O grupo do Facebook sobre o assunto.
  •                 Se você não quer decorar o nome de um monte de ingrediente, pode consultar esta lista para saber quais produtos são liberados para a técnica que você quer seguir.

 

No próximo post eu falo sobre os produtos que mais gostei de usar até o momento. ;D

Se você segue o low ou no poo, compartilhe suas impressões e seus resultados aqui.

• Análise linguística básica

30 maio, 2016 às 15:49

Feminismo

Feminismo, Linguagem, Superioridade, Vocabulário

[Usando nossa linguagem para repensar nosso lugar no mundo.]

Conversava com uma amiga esses dias (oi, Nanda!) quando falávamos sobre a forma pejorativa com a qual muitos de nós nos referimos às mulheres.

E fiquei pensando nisso. Os xingamentos, mesmo quando voltados aos homens, ferem as mulheres: filho da p*** é um exemplo clássico para “ferir a honra masculina”, assim como “corno” (o que implica que a mulher é novamente a culpada aqui, pois traiu o companheiro e manchou-lhe a honra mais uma vez). A sexualidade feminina é quase sempre tomada como ofensa, como vergonha, como algo sujo, a ser combatido/evitado/punido. É associado sempre com o negativo, já reparou?

Você pode achar que estou exagerando, mas, já reparou também como muitas vezes, para se referir a uma situação muito ruim as pessoas falam “que b*****”, referindo-se ao órgão sexual feminino? Por outro lado, quando algo muito bom acontece, “é do c******”, pois tendemos a relacionar o órgão sexual masculino à sétima maravilha do mundo. ¬¬

Eu faço essas observações porque muitas vezes não percebemos a força que nosso vocabulário tem, a força e a importância que nossas palavras demonstram. Nosso discurso é também uma forma de exercício de poder. É com ele que reforçamos tanto nossa superioridade quanto a inferioridade do outro. É com ele que continuamos a perpetuar que homem tem que ser estuprado nas prisões pra virar “mulherzinha”, que a mulher negra é “da cor do pecado”, que homossexual é “viadinho”, que “homem de verdade não chora”, que justificamos o estupro da mulher com o conhecido “que roupa ela tava usando?”.

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Até quando vamos usar nossa fala para separar ao invés de unir e acolher? Até quando vamos continuar reforçando o machismo, o racismo, o classicismo… com nossas palavras cotidianas e impensadas?

A linguagem que escolhemos e os termos que expressamos reforçam um lugar social. Um lugar de exclusão, de segregação, de ódio, de desrespeito, de desvalorização, de reforço negativo, de depreciação. Ou um lugar de inclusão, de reflexão, de acolhimento, de reconhecimento. Por isso é preciso que a gente fale menos e pense mais pra, quando nos expressarmos, sabermos exatamente que lugar é esse que ocupamos – e que lugar os outros ocupam aos nossos olhos.

Nosso discurso tem muito poder. Que narrativa você reforça todos os dias?

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