“Papo calcinha” sobre sutiã

Quando eu era mais nova, uma das coisas que eu mais almejava era usar um sutiã. Como eu me desenvolvi tarde, o sutiã também demorou um pouco mais para fazer parte da minha vida, e o olhar de inveja que eu direcionava para minhas coleguinhas era constante.

Depois que o sutiã se tornou peça corriqueira, eu queria os modelos que faziam os seios parecerem gigantes: muito aro, enchimento e o que mais fosse preciso. E isso tudo por que eu achava que era assim que devia ser, que a mulher tinha que ser desse jeito. Como eu vi a Oprah falando uma vez, os seios devem sempre parecer “saudar o sol”. ¬¬



Com o passar do tempo, eu me via mais feliz quando tirava meus sutiãs do que quando os vestia. Não sei se acontece com você, mas eu soltava suspiros de felicidade cada vez que tirava a peça, e tentava massagear as partes do corpo marcadas pelo aro, pelo fecho apertado e desconfortável, pelo tecido que às vezes pinicava.

Além disso, esses sutiãs com 800 camadas de tecido, de certa forma, parecem nos negar o direito de termos seios, de sermos mulheres. O seio deve ser uma satisfação para o olhar masculino, mas fora isso, ele é uma afronta. Tem que ser escondido, controlado.

Meu primeiro lampejo de liberdade, então, se deu quando passei a trabalhar em casa e vi que podia ficar tranquila e confortavelmente sem a peça (ninguém tava vendo mesmo). Mas a vida não ocorre só dentro do nosso lar, e a necessidade me fazia voltar para eles, sempre me deixando insatisfeita.

E foi depois de muito pensar que eu entendi que eu não odiava sutiãs. Eu odiava os meus. Porque eles nada tinham a ver comigo, com o que eu considero conforto, com o meu corpo e as minhas escolhas. Eu passei a me dar oportunidade de sair do convencional e buscar uma lingerie que conversasse comigo, que me desse alegria ao vestir e que me permitisse desfrutar meu corpo, e não achar que tem algo errado com ele.

 

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Abandonei quase tudo que tinha bojo ou aro (mantive uns 2 sutiãs com aro, sei lá pq, nunca uso) e me voltei para os sutiãs sem nenhuma armação, que me são muito mais confortáveis e palatáveis de usar. Comecei a investir também em peças de melhor qualidade, com renda, com entrelaçados, tops, enfim, itens que dialogam mais com o que eu entendo e defino como sexy/confortável hoje.

Eu até acho meio ridículo falar de um assunto como esse, mas às vezes a gente se submete a ideias ou conceitos que nos são dados como se eles fossem regras escritas na pedra, e não uma diretiva que podemos mudar ao nosso prazer. E pior, muitas vezes é isso que nos faz ignorantes de nosso próprio corpo e das necessidades que ele tem. Você já passou por isso?

No próximo post, indico marcas muito legais de lingerie que você precisa conhecer. = D

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