Profissional desinteressado: por favor, não seja mais um

Ontem fui no dermatologista. Estou em busca de um profissional bom desde que eu troquei de plano de saúde e tive que dar adeus à minha dermatologista de anos. Já tinha marcado consulta com uma médica no Batel, mas a senhora parecia preocupada apenas em desenrugar velhinhas, de forma que não deu nem as horas para as minhas queixas.

Então lá fui eu pra tentativa número 2.

E que decepção que foi.

Primeiro que o médico, ao me cumprimentar, estendeu a mão mais sem vida da história da humanidade pra eu apertar. Sério, acho que a mão estava pesada até pra ele. Quando eu comecei a contar meus problemas e dúvidas, o médico nem olhou na minha cara. E a cada frase que eu falava, ele soltava um mega suspiro doído, um “ahhhhhhhhh” como se ele estivesse morrendo. E eu suspeito que estava. Cada suspiro devia ser a alma daquela criatura dando o derradeiro adeus àquele corpo inerte e sem força.

Essa aqui podia muito bem representar a animação do meu médico.

Eu fiquei bem frustrada com o cara. Não só porque ele estava morto na minha frente, mas porque ele não conseguia disfarçar a indiferença que era me atender. A indiferença que era ele estar ali. E eu estar na frente dele.

Tirando a apatia à própria existência, que me deixou ressabiada, eu fiquei de saco cheio porque o que eu mais vejo ultimamente são pessoas que aparentemente NÃO SE IMPORTAM com a porcaria das coisas que fazem. Eu trabalho com edição de livros – e, infelizmente, a coisa mais comum é a pessoa que parece não estar nem aí para o fato de que o fruto do trabalho dela será lido, consultado e compartilhado por outras pessoas, que querem aprender. E daí escrevem tudo errado, copiam 500 coisas da Wikipédia, não respeitam prazos, escrevem qualquer coisa (sério, qualquer coisa) pra entregar logo o livro e “se livrar” dessa obrigação. Eu vejo esse comportamento em diversas situações… e só consigo me perguntar o que aconteceu com essas pessoas!?

O que aconteceu???

Eu não digo que você tem que sair por aí saltitando na cara dos outros de felicidade, mas quando você vai fazer seu trabalho, já que vai fazer, por que não fazer bem feito?Por que não correr aquela “extra mile”?

Estou pedindo muito?

Pode ser. Além de querer um dermatologista vivo, eu queria alguém empolgado com o que faz: que trocasse impressões, explicasse o uso dos produtos e dos componentes, que CONVERSASSE comigo. Alguém tão interessado quanto eu sobre o assunto, disposto a compartilhar o que sabe, disposto a me ajudar.

E veja, essa realidade é possível. Logo depois de sair da consulta, fui em uma loja de artigos antialérgicos (a Alergoshop, é ótima, eu mega recomendo, é na República Argentina) e fui atendida pela Carol. Fui lá comprar óleos essenciais. E olha, Carol me deu uma aula, explicou como usar os óleos, fez eu cheirar 15 frasquinhos, pegou o manual técnico pra explicar bem a função de cada um, falou de difusor, de aromaterapia, foi lindo!

Eu não sei se o fato de as pessoas não serem assim sempre é uma questão de que nem todos são Polianas (Ok), se elas estão infelizes consigo mesmas ou com a vida que levam ou ainda se não veem sentido no trabalho que desenvolvem. O último ponto é bem importante, afinal, é difícil se dedicar a alguma coisa na qual você não vê sentido nenhum, não vê propósito. Mas, acredite, todo trabalho importa, mesmo! E, para o bem ou mal, faz diferença para os outros. Então que tal fazermos melhor?

0

Clique no botão abaixo para seguir o Vivendo à Vista! e receber notificações via RSS
rss

Você pode gostar também

Sem comentários

Deixe uma resposta