São Silvestre 2016!

A largada é às 9h. Nós chegamos em cima da hora (pra variar), mas não tinha pressa. Com mais de 30 mil inscritos, sabíamos que não sairiam todos ao mesmo tempo. E foi o que aconteceu. Ao nos aproximarmos do nosso setor (os corredores são divididos por ‘setores’ de cores diferentes; cada um larga em sequência), deu pra ouvir “Carruagem de fogo” e eu já desatei a chorar. De repente caiu a ficha de que estávamos no meio da Paulista, no último dia do ano, com mais um bando de gente, pra correr 15 km. How surreal is that?

9h15, largamos. Muita festa. As pessoas gritam, cantam, há um público maravilhoso que acompanha a largada e dá gritos de apoio. Poucos metros à frente, entramos em um túnel. Ele é curto, mas é o suficiente para compreendermos a dimensão da prova. A entrada e a saída para o túnel são muito próximas, de modo que é possível acompanhar o movimento das pessoas em conjunto. Elas se movem como uma onda. Há um grande mar de pessoas, um mar colorido e intenso, que se desloca em sintonia, em unidade. Em uma profusão de sons. É um dos momentos mais emocionantes da corrida.

 

Logo mais, porém, as pessoas que acompanham o percurso começam a rarear. E a animação dá lugar ao reconhecimento de que é preciso correr 15 km. As pessoas ficam caladas. Acho que cada um luta contra si mesmo a partir daí. Alguns se saem melhores do que outros. Para muitos, os 15 k não passam de treino para competições maiores, provas de 21 km, maratonas… para a maioria, fica claro, aquela é A PROVA. Chegar ao final em condições minimamente decentes é o grande objetivo.

E é difícil. Eu e o Gui treinamos por 2 meses pra essa corrida, e mesmo assim, nada nos preparou para o que encontramos: uma São Paulo com 32 graus, e um trajeto que, diferente do que eu imaginava, mal tinha sombra. Invejava todo mundo que passava do meu lado usando boné.

Além disso, não esqueça, a corrida conta com 30 mil pessoas. Pessoas que se cansam, que não aguentam o calor, que param no meio da pista – assim, na sua frente – porque mal conseguem dar mais um passo. Assim, correr não é exatamente o que você mais faz na São Silvestre. Você desvia muito dos outros, leva muitos esbarrões e tenta gritos de incentivo para que as pessoas não parem. Os gritos são ignorados.

Finalmente, ainda tinha o problema da água. O primeiro “posto” com água apareceu perto dos 4 km, o que já dava uma meia hora de prova (creio eu). A cada estação de água, as pessoas se desesperavam e novamente paravam no meio da pista. PARAVAM. Não havia água gelada, ela sempre acabava antes. Tínhamos que esperar os voluntários abrirem as caixas de papelão com os copinhos de água quente para que estes fossem distribuídos. Caos.

Por tudo isso, a corrida é bastante lenta. Ela castiga o corpo. (Ao final da prova eu descobri que meu short literalmente assou minhas coxas e eu fiquei com um machucado feio, que me fez andar como uma vaqueira nos dias seguintes.)

E aí, aos 13 km, você entra na famosa “Brigadeiro”, o último obstáculo para a medalha. A subida na Brigadeiro não seria tão difícil – ela não é muito íngreme, mas a inclinação é constante – se ela não ficasse no final da prova, depois de você ter corrido 13 km no sol e com sede. Mas lá fomos. Se não fosse o Gui e a Missy Elliot, eu juro que não conseguia. Quase no final senti a pressão cair e tive que andar uns metros. Tão perto do final. Mas logo me recuperei. Voltamos para a Paulista.

E ali estávamos nós. Os torcedores todos estavam de volta. E a emoção de realizar uma prova dessas, no dia 31 de dezembro, tomou conta. Não importa se o seu ano foi bom ou ruim, se o lado pessoal ou profissional te decepcionou ou se foi uma maravilha que você teme nunca mais repetir. Quando você passa pela linha de chegada da São Silvestre, a única certeza que você tem é a de que é um vencedor. E que tudo valeu a pena.

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