Uma ode ao corpo

Tecnicamente, não é uma ode. Mas tomei umas liberdades aqui.

[esse texto foi escrito em um dia quente de janeiro, só pra contextualizar]

Como eu já falei 800 vezes, trabalho em casa. No verão isso me dá uma liberdade que demorei para usufruir: poder trabalhar apenas de sutiã e calcinha nos dias de muito calor.

Ah sim, esse é mais um texto de oversharing. Welcome! ;D

Mas aguenta que é importante.

Corpo que ama.

Então, no meu escritório deixo um espelho de corpo inteiro – não há espaço no quarto para que eu o consulte quando vou sair de casa, portanto ele fica encostado contra a janela do escritório mesmo. E aconteceu de eu estar trabalhando e suando desesperadamente esses dias no meu escritório, apenas de roupa íntima, quando eu olhei pro lado e vi o meu reflexo. E aconteceu algo muito curioso. Eu me vi.

Não foi igual a sair do banho, quando geralmente estou preocupada em me secar e me esconder na primeira peça de roupa que aparece. Não. Eu fiquei me observando. Eu reparei nas celulites que inundam minhas pernas e não estavam lá uns anos atrás, tenho certeza. É uma aquisição recente. Vi também a barriguinha flácida que o consumo de chocolate nunca vai deixar ser chapada ou negativa. Os seios também ficavam mais pra cima, eu lembro.

Corpo que trabalha.

E daí meu olhar foi direcionado para as minhas costas e para a minha lombar. Achei a curva das costas bonita. Nunca tinha reparado. Não assim. Me vi sentada de lado e achei minha lombar linda, vai entender. Daí voltei a olhar as pernas e elas tinham uma leve definição nas coxas, resultado das corridas dos últimos meses, que também não estavam lá uns anos atrás. Os braços também me pareceram bonitos, fortes. O corpo tem um leve bronzeado agradável.

E foi aí que eu pensei que meu corpo não é perfeito, mas do jeito dele é bonito. É este corpo que acorda todo dia de manhã e me tira da cama. É ele que me ajuda a trabalhar, é ele que correu 15 km no último dia de 2016 sob um sol de 32 graus em SP. É ele que compartilha amor com meu marido, que afaga meus gatos, que abraça as pessoas queridas, que sofre quando eu como o que não devo, que me avisa se estou com sono, se tenho sede, se preciso de uma tapioquinha pra aplacar a fome.

Este corpo não é perfeito, não é muso fitness, mas ele é incrível. Ele é incrível por tudo que ele é, por tudo que ele faz, por tudo que ele me permite. Ele me trouxe até aqui. E ele vai continuar comigo até eu morrer e virar um personagem da Zibia Gasparetto (ou não). Ele vai me acompanhar até o final.

Como não o amar? Como não o admirar? Como não o querer bem, não o achar a coisa mais fantástica e incrível existente no universo? Por que a gente tem essa mania péssima de se odiar?

Corpo que vence!

O meu corpo é incrível. Sou grata por ele, acho que aos poucos estamos fazendo as pazes.

O meu corpo não é perfeito.

Mas ele é meu.

Ele é um inteiro.

Ele é maravilhoso.

O meu corpo é maravilhoso…!

(E suspeito que o seu também é.)

 

Obs.: a primeira foto é da sempre maravilhosa Monique Mika. ;D

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