Vamos falar sobre tamanho?

As pessoas falam que não, mas na real, tamanho importa sim.

Tamanho diz muita coisa.

Especialmente tamanho de roupa, o assunto de hoje. ;D

(mas podemos falar de outros tamanhos se vcs quiserem tb, hehehe).

 

 

Sou uma mulher com seus mais de 60kg, 1,67m, que geralmente veste M.

Porém, de uns tempos pra cá, especialmente ao comprar roupa íntima, reparei que só consigo comprar peças tamanho G. Quando a compra é on-line, então, nem olho outro tamanhos.

Dia desses comprei pela internet uma calcinha tam. G e fiquei muito surpresa quando ela ficou apertada. Isso não tem a ver com o fato de eu ter engordado, como você pode supor, mas com alguma alteração de modelagem que deixou a peça horrorosa e desconfortável em mim (pq eu tenho outras peças dessa mesma loja, neste tamanho, e elas ficam até um tico folgadas).

Eu tenho um quadril grande, 98cm (é, eu sei…), mas me pergunto o que aconteceu para as numerações e modelagens terem ficado tão pequenas, a ponto de nem uma peça G me servir direito. Com outras peças de baixo – calças, saias, etc. – eu uso tamanho M ou número 40. Mas quando eu sou obrigada a comprar o tamanho maior disponível na grade da marca, fico pensando o que acontece com outras mulheres – maiores do que eu, ou com quadris ainda mais largos – que não são atendidas e contempladas devidamente pelo mercado.

 

“Entenda que suas clientes são gordas, são negras, são empresárias, são altas, são velhas – e se você ainda está tentando vender para uma cliente ideal que você acha que todas as mulheres desejam ser, você está à beira de um choque de realidade. É impressionante como poucas marcas conseguiram captar essa ideia.”

Texto da Nina Ribeiro (Modices) no livro Moda com propósito, de André Carvalhal (Paralela, 2016, p. 265).

 

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           Talvez você diga que existem marcas plus size e hoje essas pessoas teriam onde buscar peças do tamanho delas. Mas aí é que está: com toda essa variação das confecções e modelagens, é muito grande a chance de ser reforçada uma imagem distorcida que a mulher já tenha sobre o próprio corpo. Uma mulher que veste 42 não é plus size ou gorda, mas aparentemente o mercado a rejeita, porque ‘já está fora dos padrões’. Parece que na contramão do empoderamento e da luta contra gordofobia e pela aceitação, as marcas insistem em segregar e elitizar seu público pelo tamanho das roupas que fornece, aceitando em seu clube apenas as mulheres magras e esguias. Como se todas nós devêssemos parecer com aquelas garotinhas-forever 21-no-Coachella.

Já vi marca falando que faz as peças baseadas em pesquisa sobre o público-alvo dela e sobre o tamanho médio das consumidoras. E já vi pessoas na página do facebook dessa mesma marca reclamando que olham todas as peças, morrem de vontade de usar, mas não podem, porque nada serve. No fim, a marca não quer te atender. Não digo que as marcas tenham obrigação de atender todo mundo, mas sempre tenho a impressão de que muita marca ainda está mirando em consumidores ideais e não em pessoas reais.

 

O discurso que mais se ouve por aí é de que cada ser humano é diferente e a gente tem que valorizar essas diferenças. Na prática, o que vale é: “Certo, você pode ser diferente, desde que caiba na nossa medida”. A numeração (de tamanho) e as modelagens são ferramentas de bastante opressão, que ajudam a perpetuar os padrões nocivos impostos pela moda.

André Carvalhal. Moda com propósito (Paralela, 2016, p. 266).

Vejo muita marca mais preocupada com a sua imagem – e a imagem das consumidores associadas a ela – do que com a frustração que ela causa quando, declaradamente ou não, nos diz que mulheres acima do manequim 42 são “gordas” ou que não merecem se sentir lindas, sexy, confiantes em si mesmas.

 

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Titus Amado da Minha Vida tem um recado para essas marcas…

 

Não tá na hora de as marcas tratarem gente como gente? E pra lembrar gente = seres vivos de formatos e tamanhos variados, e estilos de vida idem.

Se vc tem dicas de marcas mais “people friendly” e de iniciativas que levam as pessoas em consideração (hehe), comenta aí! We need to know!

 

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