Você é um bom cliente? [parte I]

Sempre vejo por aí vários artigos falando sobre a importância de empreendedores e freelas atenderem bem ao cliente. Na verdade, a lista de obrigações deste profissional é enorme: tem que atender bem, dentro do prazo, ser o Yoda da administração, aplicar feng shui no escritório, meditar e encontrar tempo pra se conectar com a natureza e buscar inspiração, estar disponível para emergências, negociar valores, criar uma página no facebook e estar ativo nas mídias sociais, manter-se atualizado com cursos e palestras, fidelizar clientes, ai-meu-deus-quem-consegue?

O que eu quase não vejo por aí é o outro lado, ou seja, textos que falam sobre as responsabilidades dos clientes.

Porque, acredite, elas existem.

E muitas vezes um trabalho que não apresenta o resultado final esperado/satisfatório não tem o freela como culpado, mas o próprio contratante.

Por isso hoje vamos identificar alguns pontos que você, como cliente, pode averiguar para obter o melhor do profissional contratado.

Clientes 101. Parte I.

 

  • Conte ao freela todos os pormenores envolvidos com o trabalho terceirizado.

Peguei um trabalho de edição esses dias que me deixou super animada. A orientação era a de que eu podia editar tudo sem ressalvas (eu edito materiais didáticos de História), porque o material estava ruim. E estava mesmo.

Fiz tudo que eu queria no livro, afinal, tinha carta branca.

E o cliente surtou quando viu o que eu fiz no material. Surtou. De acordo com ele, eu não podia ter mexido tanto no texto porque havia um banco de questões baseado no conteúdo do livro, com algumas perguntas tiradas diretamente de frases do material.

Mas eu sabia disso? Não. ¬¬

Entendeu o espírito?

O que eu mais vejo é cliente passando o trabalho pra frente com o maior desleixo do mundo: “não, é super fácil e rapidinho de fazer, você nem vai sentir”, e no fim não é explicado de fato o que é pra fazer e quais os limites e cuidados que o profissional deve adotar.

Aja assim e a perda de tempo, paciência e dinheiro serão inevitáveis para você e sua empresa.

  • Crie a melhor situação de trabalho possível.

Você acha que isso só é obrigação para os funcionários que trabalham diretamente com você (CLTistas), mas está errado. Criar a melhor situação de trabalho possível é, além de passar todas as informações relativas ao trabalho pretendido, garantir que o profissional tenha prazo suficiente para cumprir o acordo (não adianta passar revisão de 100 páginas para ler em 2 dias e esperar que o profissional se vire e fique sem dormir para cumprir um prazo ridículo desses); receba um feedback quando preciso; tenha acesso a todos os materiais necessários para realizar a demanda, e por aí vai.

  • Abra espaço para os imprevistos.

Então você passou a revisão de 100 páginas para a pessoa ler em 2 dias (tsc tsc tsc, retome o tópico anterior) e ela passou mal e não vai cumprir o prazo. E aí?

Ferrou você na vida.

Na verdade, você que promoveu essa situação ao não contar com uma margem de tempo para a encomenda do trabalho.

E isso acontece, não porque o freela tá “armando” pra você, mas porque ele é um ser humano também, que se depara com situações além do controle dele. [Já ouvi muito cliente falando que não confia 100% nos terceirizados porque sempre “acontece alguma coisa”, “eles não são comprometidos” e assim vai. Acredito ser sempre válido avaliar se a situação é essa – o que o profissional ganharia atrapalhando a vida do cliente? – ou se não é você que está exigindo mais do que o profissional pode fazer…]

Freela não é uma máquina que só existe para atender suas necessidades. Leve isso em consideração e se planeje! Planeje o tempo para a execução do trabalho e para um possível atraso também, assim ninguém fica mal.

 

Alguém já passou por situações assim? [Não, imagina, nunca….]

No próximo post, mais três pontos que você precisa cuidar para ser o cliente favorito do seu freela. = D

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