Você precisa de uma cama?

Você já parou pra pensar sobre isso?

Vou repetir: Você precisa de uma cama?

Talvez precise. Eu pensei sobre o assunto e cheguei à conclusão de que uma caminha (de preferência sem roupas espalhadas em cima e minimamente arrumada) era muito bem-vinda no meu lar. Ela ficou. ;D

Mas não é maravilhoso parar para refletir sobre sua casa dessa forma? Foi o que comecei a fazer enquanto lia Menos é mais, da minimalista Francine Jay (Sério, esse livro é incrível!). Ainda que eu já tenha lido o livro da Marie Kondo (falei dele aqui e aqui), a leitura da Marie ficou muito associada à questão das roupas, embora eu tenha aplicado o método dela até na cozinha. Com a Jay, eu senti que o horizonte se abriu.

Estimulada pela autora, comecei a questionar a existência de alguns móveis na minha casa, a disposição de outros, enfim, comecei a pensar no que era realmente desejado dentro do meu lar e que fazia sentido com o meu estilo de vida. Eu sempre falo isso quando o assunto é roupa, mas essa mentalidade pode se estender pra outros âmbitos da vida: as coisas que você tem, de maneira geral, refletem seu estilo de vida e o ajudam a mantê-lo? Ou são, como a autora fala, voltados para um “eu de mentirinha”? (Sabe, aquele “eu” que faz academia todos os dias, vai em todas as baladas no final de semana, lê um clássico por mês… e que não têm nada a ver com a forma como você vive ou com quem você é. É hora de dar tchau pra ele).

A autora nos alerta que não devemos viver de forma X porque é isso que se espera. E eu pensava que isso se aplicava à forma como nos expressamos ou trabalhamos, enfim, mas não como vivemos, dentro da nossa casa. Não é preciso ter uma mesona de 8 lugares e um conjunto de cadeiras combinando porque todo mundo tem. Não é preciso ter televisão se você só assiste Netflix no seu note. Achei bem revolucionário.

Aqui em casa já fazíamos um pouco isso – tiramos o telefone fixo e cancelamos a tv a cabo porque não fazia mais sentido pagar por um serviço não utilizado. O baque maior mesmo foi quando começamos a procurar um sofá novo para comprar. Só encontrávamos aqueles gigantes cinzas ou marrons… Eu deitei em um deles e pensei que nunca mais ia me levantar, de tão confortável. Mas o sofá também tinha o tamanho do Titanic, e eu sentia que ele ia afundar (pegou o que eu fiz aqui?) qualquer tentativa de manter minha sala organizada. Assim percebi que eu odiava esse tipo de sofá (pra nossa casa, que fique claro). De fato, percebi, com uma claridade cada vez mais assombrosa que eu queria uma sala com a menor quantidade de móveis e tranqueiras possível. Um sofá menor, mesa + cadeiras, um barzinho (tá no projeto), tapete, tv, fechou vlw. Aos poucos, vi que me sentia assoberbada pelas coisas que tínhamos, via-me sufocada com as superfícies todas ocupadas por livros, cremes, material de corrida, papelada…

Assim que eu entendi que era o que queria, saí desatinada a fim de concretizar isso. Saiu da sala o móvel com o nosso famoso lírio da paz (foi pro meu escritório, onde fez muito mais sentido! É a foto que acompanha o texto, lá em cima, meu canto favorito do lugar), saiu também a sapateira, que tinha transformado a sala em um pit stop perpétuo de calçados.

A sacada também sofreu uma repaginada, com vários vasinhos cheios de terra revirada sendo despachados de lá. Só ficou Cacilda como dona do lugar (Cacilda é uma plantinha que ganhamos dos maravilhosos Rodolfo & Iago; ela reina soberana agora em um local limpo, organizado e destralhado).

Eu olhava para o espaço que tinha e parecia mágica. Não era. Era simplesmente o espaço adequado à forma como realmente queríamos que ele fosse. E a gente vivendo da forma que achava melhor.

Por isso eu repito: você realmente quer e precisa de todos os móveis e objetos que tem? (Ou dá pra fazer e viver melhor?)

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